Farmácia com preço de custo: como funciona, quem ganha e como montar a sua

10 min de leituraPor Equipe Membo

Farmacêutico sorridente entrega sacola a cliente que mostra a carteirinha digital do clube no celular, no balcão de uma farmácia de bairro

"Farmácia com preço de custo" virou busca comum. O cliente paga uma mensalidade fixa e, em troca, compra remédios e produtos quase pelo que a farmácia pagou ao distribuidor.

Para quem compra, a conta é simples: se gasta bastante na farmácia todo mês, a mensalidade se paga.

Para quem é dono de farmácia, a pergunta é outra: isso dá dinheiro ou só queima margem? Neste post você vai ver como o modelo funciona, por que ele está crescendo, o que você ganha, o que você abre mão e o que a lei diz sobre anunciar "preço de custo".

O que é uma farmácia com preço de custo

Não é um tipo novo de farmácia. É um clube de assinatura dentro de uma farmácia comum.

Funciona assim:

  1. O cliente assina o clube e paga uma mensalidade (cartão, PIX ou boleto).
  2. Enquanto for assinante, ele compra com preço de clube: custo do produto + uma pequena taxa operacional.
  3. Quem não assina continua pagando o preço normal da loja.
  4. Em geral, o plano aceita dependentes (filhos, cônjuge, pais) na mesma assinatura.

É a mesma lógica da academia ou do clube de compras de atacado: você paga para entrar e, depois de dentro, cada compra fica mais barata.

Por que "quase preço de custo" e não custo puro

Vender a custo puro dá prejuízo. Em cima do preço de compra ainda entram impostos (ICMS, PIS/Cofins), taxa da maquininha e o custo de manter a loja aberta.

Por isso a prática recomendada é custo + taxa operacional. Ela cobre essas despesas e mantém o preço muito abaixo da tabela, sem que cada venda vire prejuízo.

Por que o clube de farmácia a preço de custo está crescendo

Três movimentos explicam o interesse.

1. O brasileiro já vive de assinatura

Streaming, academia, internet, plano de celular. Pagar todo mês por um serviço virou hábito.

Na Pesquisa de Assinaturas 2026, da Vindi com o Opinion Box, 76% dos entrevistados pagam de 1 a 4 serviços recorrentes e 21% têm de 5 a 10 assinaturas ativas. E 87% consideram academia, tag de pedágio e seguro como "assinaturas". Ou seja: o cliente já entende o modelo. Você não precisa ensinar.

2. O cliente de farmácia compara preço

A farmácia é uma compra frequente. Segundo a pesquisa Uso de Medicamentos no Brasil 2026, do Opinion Box, 92% dos brasileiros compram em farmácia pelo menos uma vez por mês e 48% pesquisam preço em loja física ou online antes de decidir.

Na hora de escolher a farmácia, pesam preço (72%), promoção (59%) e proximidade (56%). Programas de fidelidade aparecem logo atrás, citados por 44%.

Tradução: fidelidade ajuda, mas só se vier junto com preço. Um clube a quase preço de custo junta as duas coisas.

3. A farmácia independente está sob pressão

Os números do setor não são confortáveis para quem é independente:

  • Em 2025, segundo dados da IQVIA divulgados pela Febrafar, fecharam 6.555 farmácias independentes e abriram 5.459 — saldo negativo de 1.096 lojas.
  • As redes associadas à Abrafarma têm cerca de 11% dos pontos de venda do país, mas respondem por aproximadamente 53% das dispensações de medicamentos. Elas faturaram R$ 118,5 bilhões em 2025, alta de 14,9%.

A leitura da própria Febrafar é que o jogo ficou mais técnico: margens mais estreitas, concorrência no aplicativo e na entrega rápida, e menos espaço para decisões no "feeling".

Competir com as grandes redes em volume de compra e em mídia é difícil. Competir em relacionamento com o cliente do bairro, com um preço que ele sente no bolso, é outra história.

O lado do dono: o que a farmácia ganha com o clube

Aqui está a virada de chave. Para o consumidor, o clube é desconto. Para você, o clube é modelo de negócio.

Receita recorrente todo mês

A mensalidade cai todo mês, com ou sem movimento na loja. Em mês fraco, feriado prolongado ou chuva, ela continua lá.

É dinheiro previsível para planejar compra, pagar folha e negociar com distribuidor.

O cliente concentra as compras na sua loja

Quem paga mensalidade quer "tirar o valor" dela. A tendência é trazer para você o que antes ele comprava em vários lugares: o remédio de uso contínuo, a fralda, o protetor solar, o remédio da mãe.

O ganho de verdade está aí: no gasto que hoje vai para a concorrência e passa a vir para você.

E você não precisa colocar a loja inteira a preço de custo. Dá para escolher só alguns setores, por exemplo fraldas, genéricos ou higiene. Escolha as categorias em que seu cliente mais compra fora. Nessas categorias você abre mão da margem para ganhar o cliente que hoje compra esses itens em outro lugar. O resto da loja continua com a margem normal. E quem entra pela fralda a preço de custo acaba levando o protetor solar, o dermocosmético e a vitamina.

Na prática:

  • Setor a preço de custo atrai o cliente e faz ele voltar todo mês;
  • O resto da loja continua com a margem normal;
  • Você decide quais setores entram e pode mudar conforme os números.

Sair tem um custo para o cliente

Com o painel de economia, o assinante vê quanto já deixou de gastar. Cancelar significa abrir mão disso.

Não é contrato de fidelidade nem multa. É só a conta que ele mesmo faz: "se eu sair, volto a pagar mais caro".

Um diferencial que as grandes redes não copiam fácil

As grandes redes brigam com escala, aplicativo e promoção. Um clube com a sua marca, que atende a família inteira e que conhece o cliente pelo nome, é algo que o balcão do bairro faz melhor.

Você provavelmente já dá desconto informal para cliente fiel. O clube organiza isso: o desconto passa a ter regra, a ter mensalidade e a gerar receita.

A contrapartida (vamos ser honestos)

Clube a preço de custo não é mágica. Você troca margem por recorrência.

Com margem bruta média de farmácia na casa de 30% (genéricos podem passar de 50%), cada venda para assinante rende bem menos que uma venda normal. Quem paga essa diferença é a mensalidade.

Veja um exemplo com números redondos:

Cenário Gasto do cliente/mês O que fica para a farmácia
Sem clube (preço normal, margem de 30%) R$ 300 R$ 90 de margem
Com clube, cliente que já comprava tudo com você R$ 300 a preço de custo R$ 64,90 de mensalidade
Cliente que gastava R$ 200 com você e R$ 100 na concorrência e passa a comprar tudo com você R$ 300 a preço de custo R$ 64,90 de mensalidade — antes, você ficava com R$ 60 (30% de R$ 200)

Exemplo ilustrativo, sem a taxa operacional. Os números reais dependem do seu mix, dos seus impostos e do valor da mensalidade.

O que a tabela mostra:

  • Se o assinante já era 100% seu, o clube pode reduzir o que você ganha com ele.
  • O clube compensa quando traz gasto novo: cliente que comprava parte em outra farmácia, família que passa a comprar junto, gente nova no bairro.
  • A taxa operacional em cima do custo melhora bastante essa conta.

Por isso o foco do clube tem que ser captar cliente e compras que hoje estão com a concorrência, e não só dar desconto para quem já é fiel. A conta completa, com ponto de empate, está no post A conta do clube a preço de custo: quando dá lucro.

Outro ponto: parte do público de uso contínuo já pega remédio de graça no programa Farmácia Popular, que hoje tem 41 itens gratuitos com receita. O clube faz mais sentido para o que fica fora dessa lista: outros medicamentos, dermocosméticos, higiene, infantil.

Quer ver essa conta com os números da sua farmácia? Simular quanto minha farmácia ganha — você preenche o formulário e recebe o retorno pelo WhatsApp em até 1 dia útil.

Pode anunciar "preço de custo"? O que diz a lei

Vender abaixo do preço de tabela é permitido. A CMED define um preço máximo ao consumidor para medicamentos; abaixo dele, o preço é livre. O cuidado está em como você anuncia.

Anvisa (RDC 96/2008): regras de propaganda de medicamentos

A resolução da Anvisa que regula propaganda de medicamentos tem pontos que afetam qualquer clube de desconto:

  • Remédio de venda sob prescrição não pode ter preço anunciado em propaganda. O preço desses medicamentos só pode aparecer em listas de preço, sem imagem de embalagem, sem indicação e sem frase de efeito.
  • Desconto por grupo pode ser anunciado, como "genéricos com 30% de desconto", desde que sem outros argumentos publicitários (nada de "Pressão alta? Aqui tem desconto").
  • Quando anunciar desconto, a farmácia precisa ter a lista dos medicamentos com o preço reduzido em local visível, sem o cliente ter que pedir.
  • Se anunciar preço promocional, precisa mostrar também o preço cheio ("de R$ X por R$ Y").
  • Promoções do tipo "compre 3, pague 2" para medicamentos são proibidas.

Na prática: divulgue o clube (a assinatura, a economia na farmácia, o atendimento), e não "remédio X por R$ Y". Os preços de clube ficam no app ou em lista, não em anúncio.

Código de Defesa do Consumidor

O CDC exige que a publicidade seja verdadeira e que você consiga provar o que anuncia:

  • Oferta anunciada obriga a farmácia a cumprir (art. 30).
  • Quem anuncia precisa ter os dados que comprovam a mensagem (art. 36).
  • Publicidade que induz a erro é enganosa (art. 37).

Por isso, evite promessas como "economia garantida" ou "tudo a preço de custo" se nem tudo estiver. Prefira frases como "preços de clube, perto do custo" e mostre a economia real de cada cliente no painel.

Este post não é parecer jurídico. Antes de lançar a campanha, vale passar o material pelo seu contador ou advogado e conferir as regras do seu CRF e da vigilância sanitária local.

Como montar a sua farmácia com preço de custo (sem TI)

O problema costuma ser a operação: cobrar todo mês, controlar quem está em dia, cadastrar dependentes, aplicar o preço certo no caixa. Em planilha não escala; sistema sob medida sai caro.

É para isso que existe a Membo. Com ela, sua farmácia coloca o clube no ar com a sua marca, sem precisar de equipe de TI:

  • Clube com a marca da farmácia — o cliente assina o seu clube, não o de outra empresa.
  • Cobrança recorrente automática por PIX, cartão ou boleto.
  • Carteirinha digital para o cliente se identificar no balcão.
  • Titular + dependentes no mesmo plano.
  • Painel de economia: o cliente vê quanto já economizou — e esse é o melhor argumento para ele continuar.
  • Backoffice simples para você acompanhar assinantes e receita.
  • Catálogo por planilha (CSV) exportada do seu sistema, com integração automática no roadmap.

A receita das assinaturas é da farmácia. A Membo cobra uma licença pelo uso da plataforma.

Em breve: loja online para o assinante comprar pela internet, e, no roadmap, um canal para empresas darem o clube como benefício aos funcionários.

Quer o passo a passo completo? Veja Como criar um clube de desconto na sua farmácia em 5 passos.

Resumindo: mensalidade + compras a quase preço de custo. Você troca margem por recorrência e ganha quando o clube traz para a sua loja as compras que hoje vão para a concorrência.

Veja quanto o clube pode render na sua loja. Simular quanto minha farmácia ganha

Fontes

  1. Vindi / Opinion Box — Pesquisa de Assinaturas 2026: blog.vindi.com.br
  2. Tudo Sobre Incentivos — Radar TSI #285, sobre a pesquisa Opinion Box "Uso de Medicamentos no Brasil 2026": tudosobreincentivos.com.br
  3. Medicina S/A — "Mercado farmacêutico cresce, mas as pequenas farmácias fecham" (dados IQVIA/Febrafar): medicinasa.com.br
  4. Diário do Comércio — "Varejo farmacêutico independente tem retração inédita, alerta Febrafar" (05/05/2026): agenciadcnews.com.br
  5. Guia da Farmácia — "Ranking Abrafarma: grandes redes faturaram R$ 118,5 bi em 2025" (31/03/2026): guiadafarmacia.com.br
  6. Agência Gov — Farmácia Popular com 100% de gratuidade nos 41 itens: agenciagov.ebc.com.br
  7. Panorama Farmacêutico — Tabela de preços de medicamentos (PMC): panoramafarmaceutico.com.br
  8. Anvisa — RDC nº 96/2008 (texto na BVS/MS): bvsms.saude.gov.br — resumo em M2Farma: m2farma.com
  9. CRF-SP — "Anvisa esclarece o CRF-SP sobre propaganda de medicamentos": portal.crfsp.org.br
  10. Código de Defesa do Consumidor — Lei nº 8.078/1990, arts. 30, 36 e 37: planalto.gov.br

Perguntas frequentes

Como funciona uma farmácia com preço de custo?

O cliente paga uma mensalidade fixa e, enquanto for assinante, compra produtos pelo preço de custo mais uma pequena taxa operacional. Quem não assina paga o preço normal.

Farmácia com preço de custo dá lucro?

Pode dar, se a mensalidade e a taxa operacional cobrirem a margem que você deixa de ganhar. O lucro vem principalmente das compras que o assinante passa a fazer na sua loja em vez de na concorrência.

É permitido vender remédio a preço de custo?

Sim. A CMED define só o preço máximo; abaixo dele, o preço é livre. O que tem regra é a propaganda: medicamento de venda sob prescrição não pode ter preço anunciado em publicidade, só em lista de preços.

Posso anunciar "preço de custo" na fachada ou nas redes?

Pode divulgar o clube e a vantagem de ser assinante, desde que seja verdade e você consiga comprovar. Evite "economia garantida" e não associe preço a remédio de prescrição específico.

Qual o valor da mensalidade de um clube de farmácia?

Alguns clubes já existentes cobram entre R$ 29,90 e R$ 34,90 por mês. O valor ideal depende da sua margem, do seu mix e do gasto médio dos seus clientes.

Preciso de sistema próprio para montar o clube?

Não. Com uma plataforma white-label como a Membo, o clube sai com a sua marca, com cobrança automática, carteirinha digital e dependentes, sem equipe de TI.